Um em cada cinco adultos será obeso em 2025. Daqui a menos de uma década. Pelo menos, é o que vaticina um estudo de larga escala, publicado no jornal médico The Lancet, e divulgado na semana passada. Tudo isto apesar de as pessoas se mexerem muito mais.
Dos cinco mil milhões de adultos à face da Terra, 641 milhões já são obesos e vivem sobretudo nos Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Austrália, Canadá e Nova Zelândia. Ao mesmo tempo, é nos EUA que se regista um enorme aumento da atividade física: de 1988 até 2006, as mulheres mais do que duplicaram a sua frequência de exercício e os homens aumentaram-na em 50 por cento. Mas a prevalência da obesidade cresceu de 23 para 35% no mesmo período. Por outro lado, noruegueses e japoneses – menos ativos do que os americanos – são muito mais magros. Culpa da alimentação, da compleição, ou uma mistura de ambas?
A relação entre atividade física e índice de massa corporal é, de facto, nublosa. Muitos estudos sugerem que há um efeito limitado na perda de peso, e que, para esse fim, o exercício é menos confiável do que estar atento à dieta. O nosso corpo trabalha no sentido oposto ao esforço. Queimamos mais calorias quando começamos a treinar, mas isso estabiliza à medida que a intensidade aumenta. Há cada vez mais evidências de que o nosso metabolismo pode até abrandar à medida que perdemos peso – talvez a atividade física ative o gatilho para guardar calorias de forma a que não exista um défice energético que ponha em causa importantes funções do corpo.
No Eurobarómetro sobre atividade física e desporto, numa sondagem realizada há dois anos, 64% dos portugueses admitiram que não fazem qualquer tipo de desporto. Dos 36% que se mexem (somos o terceiro país mais sedentário da Europa), só 4% estão inscritos em algum clube. A maioria fá-lo de forma espontânea. E não será por causa das conclusões dos estudos recentes que interferem na correlação mais do que instituída entre exercício e dispêndio de energia. Poderá ser por causa de um pequeno estudo que concluiu que as pessoas que saem do ginásio sobrestimam a energia lá despendida em 400% e acabam a comer o dobro das calorias que na realidade queimaram? Ou, quiçá, ficarão no sofá a pensar que o aumento da massa muscular faz disparar o ponteiro da balança para o lado direito?
Portugal está entre os países europeus com piores indicadores no que toca à silhueta: aos 11 anos, 32% das crianças têm peso a mais. Na população adulta, 59,1% revela excesso de quilos e 24% é obesa. Pode até ficar provado que não existe uma ligação direta entre exercício e emagrecimento, mas é sempre melhor para a saúde mexermo-nos do que estarmos parados.
Resistência em vez de cárdio
Pedro Correia, especialista em exercício e bem-estar que escreve regularmente no site da VISÃO, conhece os erros mais praticados no ginásio e aqueles que podem desmoralizar os adeptos menos convictos. Pensar “que a percentagem de massa gorda só baixa com esforços de longa duração num aparelho de cárdio” é um deles. “Efetivamente, a gordura é ou poderá ser utilizada como fonte de energia neste tipo de treino, mas poucas calorias são queimadas e não aumenta o metabolismo (a chave para queimar gordura)”, explica.
As novas tendências do desporto vão neste sentido. “Se só fizermos exercícios cárdio, estamos a sabotarmo-nos a nós próprios”, acredita Jacobb Wilson, especialista e editor do Journal of Strength and Conditioning Research. “O nosso metabolismo vai descer, fazendo com que a perda de peso seja mais difícil”, diz à Time. Então, como devemos mexer-nos para otimizar o tempo de esforço no ginásio?
Pedro Correia sabe a resposta: “Praticando o treino de baixa intensidade, que serve para criar capacidade para quem está a começar e para diminuir o tempo de recuperação de atletas mais experientes ou treinados. Não resulta para a perda de peso/massa gorda, mas pode aumentar o défice energético do corpo, criando as condições fisiológicas certas para promover a perda de peso.” Logo, se o objetivo for queimar calorias, aconselha-se a introdução de treino de alta intensidade. Para criar músculo e acelerar o metabolismo, Jacob Wilson prescreve treino de resistência. E é secundado por um estudo levado a cabo pela Harvard School of Public Health, durante 12 anos – entre os 10 500 indivíduos que participaram, os que passaram 20 minutos por dia em exercícios com pesos ganhavam menos gordura abdominal quando comparados com os que dedicaram a mesma quantidade de tempo ao cárdio.
Pode não emagrecer,mas são vários são os benefícios do exercício. E basta mexermo-nos meia hora por dia
- Reforça os ossos, atrasando o aparecimento de osteoporose
- Previne doenças cardíacas
- Defende-nos de alguns tipos de cancros
- É fundamental para evitar a Diabetes de tipo II
- Combate a depressão
- Ajuda a vencer o stresse
- Melhora a concentração
- Fortalece a memória
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